segunda-feira, 9 de maio de 2011

Então, que venha Paulinha Fernandes.


Leitor e eventual colaborador do blog Piritiba News, por uma periodicidade que deveria ser bem maior, dado aos laços afetivos com seu editor-chefe, tenho observado que a programação dos festejos juninos para este ano, na cidade, desencadeou uma serie de ataques e ofensas políticas por partidários pró e contra a atual administração municipal. A pretexto de discutir o que é ou não junino, compara-se a realização de festas por administrações passadas, através de um viés que nada tem de musical, mas eivado de ressentimentos, paixões otárias, derrotas não assimiladas enfim, mesquinharias que revelam a aridez de idéias e falta de civilidade. Não temos mais políticos da linhagem de Carlos Ayres, Dioniso Almeida, Joaquim Sampaio Neto, José Batista Viana, Otávio Souza Santosentre outros ilustres representantes de uma época que fazer política era de fato uma paixão construtiva em prol da cidade e não refúgio de quem colocou seus interesses pessoais acima dos da cidade, como alguns dos que os precederam. Mas, mesmo assim, ainda é possível se pensar a cidade como meta, com o espírito desarmado na busca do interesse comum, pouco importando se integrante de siglas 15, 22, 25, 36 ou baboseiras que tais, já que o que se discute carece de caráter ideológico ou de sensato, talvez por isso seja mais fácil um consenso ou esteja bem longe disso, o que é pior para a cidade.

Quanto às atrações musicais para o São João é ociosa e burra a discussão sobre o que é ou não junino. Tudo mudou. Talvez até gostasse ou quisesse ouvir e ver tais e quais artistas tocando na praça, indo de encontro a quem de fato faz a festa que são os jovens e, para quem é dirigido qualquer evento que se programe para os dias de hoje. Há uma indústria de entretenimento em expansão em qualquer parte do país e a cidade não é um oásis para o culto da pureza musical. Estão aí as bandas de axé que confirmam a regra desta nova cara de um negócio em que a música é um produto comercial como outro qualquer. A profusão de forrós por fazendas em várias cidades do interior do estado, promovidos por estes grupos de axé, são exemplos disso. Lamento a descaracterização da festa, como vi a perda da espontaneidade e do caráter popular que era o carnaval de Salvador se transformar em um grande negócio em que cada espaço da folia é loteado como área privada e não pública como são as avenidas e ruas de qualquer cidade. “A gente vai contra corrente até não poder resistir”, mas já vencido não há como deixar de seguir a marcha do capitalismo predatório onde tudo é pretexto, para gerar lucro e faturar.
Se tem que ser assim, que então venha Paulinha Fernandes e seu canto de sertaneja bonita e de boutique.

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